17/09/2020

Você sabe como funciona a doação de órgãos no Brasil?

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2019, 3.767 pessoas foram doadoras efetivas de órgãos. Graças ao ato de nobreza de cada uma dessas pessoas, foram realizadas 27.688 cirurgias de transplante.

O número quebra o recorde do ano anterior. Além disso, estabelece o Brasil como o segundo maior transplantador do mundo.

Doar órgãos é um gesto de amor pela vida. Porém, relatar essa vontade para nossos familiares ainda é um assunto difícil. Para quebrar este estigma, o conhecimento é a melhor saída.

A seguir, entenda todos os passos sobre doação de órgãos e tire suas dúvidas sobre o processo:

Categorias de doação de órgãos

Primeiramente, é preciso destacar que existem dois tipos de doação de órgãos e tecidos.

O primeiro tipo se refere ao doador vivo. Quando um paciente precisa de transplante, por lei, parentes de até quarto grau e cônjuges podem doar alguns órgãos. Fora deste critério, é preciso de autorização judicial.

Em vida, é possível doar um dos rins, parte da medula óssea, do fígado ou pulmão. Para que ocorra, a pessoa deve concordar com a doação, desde que não haja riscos para sua saúde.

A segunda categoria é relativa ao doador falecido. Para ocorrer, o motivo de óbito deve ter sido morte encefálica. Também é preciso o consentimento familiar.

Neste caso, uma única pessoa pode ajudar até dez pacientes nas filas de transplante. É possível doar o coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, pele, ossos, córneas e medula óssea.

Para entender melhor como funciona a doação de órgãos após o falecimento, confira os itens abaixo:

Doação de órgãos: um passo a passo

1. Diagnóstico de morte encefálica

A morte encefálica se caracteriza pela perda completa das funções cerebrais. Esse estado é irreversível e geralmente provém de traumatismos ou acidentes vasculares.

Uma das características é que, apesar da falência do sistema nervoso, o coração continua irrigando os órgãos. É graças a esta característica que o transplante é possível.

Diante do óbito por morte encefálica, são feitos testes para confirmar o diagnóstico. Com a certificação, a circulação do corpo é mantida artificialmente enquanto a família é notificada.

2. Autorização da família

No Brasil, a doação de órgãos só é permitida perante a autorização familiar. Mensagens ou documentos deixados pelo paciente não são válidos. Portanto, é vital que haja uma conversa aberta sobre o desejo de ser doador de órgãos.

Seis horas depois do diagnóstico inicial, é feito um novo teste para confirmar a possibilidade da doação. Depois, a família é orientada sobre o processo e toma sua decisão.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2019, a negativa familiar foi de 39,4%. Destaca-se que, quando o paciente deixa explícita sua vontade, os familiares tendem a respeitar a decisão.

3. Entrevista Familiar

Após a autorização da família, os médicos passam a investigar o histórico do paciente.

Este processo descarta hábitos que podem levar ao desenvolvimento de complicações. Doenças crônicas, infecções, uso de drogas ou de certos medicamentos podem inviabilizar o transplante de alguns órgãos.

A equipe médica realiza um questionário com alguns dos familiares do paciente. Enquanto isso, exames indicam a compatibilidade com possíveis receptores.

4. Cirurgia e transporte dos órgãos

Através de um sistema integrado que conecta todo o país, os dados do doador são cruzados com os seus possíveis receptores. Além de compatibilidade, são considerados fatores como urgência e tempo de espera na fila.

Cada órgão possui um limite de “vida” entre a retirada do corpo e o transplante. Este período é chamado de “tempo de isquemia”, e é vital cumprir todos esses passos dentro do período. Logo, os profissionais correm contra o tempo para garantir o transplante seguro.

Quando um paciente compatível está em outro Estado, o Ministério da Saúde disponibiliza o transporte aéreo.

Após a cirurgia de retirada dos órgãos, a família poderá velar seu ente querido de acordo com os rituais de sua religião. A operação não causa deformidades no corpo.

5. Transplante e recuperação

Após ocorrer o transplante, o paciente recebe orientações sobre os cuidados com o novo órgão. O pós-operatório é semelhante ao de outras operações cirúrgicas.

Quando alguém recebe um novo fígado ou pulmão, sua sobrevida aumenta em 60%. Quando acontece uma doação de coração, seu receptor ganha até 70% a mais de tempo de vida. Para casos de transplante de rim, o número sobe para 80%.

Doar órgãos é mais que garantir a vida: é garantir o bem-estar e a felicidade. É ampliar os horizontes e viver além da sua própria vida.

O último dado do Ministério da Saúde estima que existem 46.906 brasileiros na lista de espera para transplante de órgãos.

A doação de órgãos é um direito. Não tenha medo de conversar com sua família e amigos sobre a importância desse ato de grandeza.

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